{"id":1811,"date":"2012-07-04T15:08:32","date_gmt":"2012-07-04T19:08:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1811"},"modified":"2012-07-04T15:12:58","modified_gmt":"2012-07-04T19:12:58","slug":"1811","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1811","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/amor-e-paixao.jpg\" title=\"amor de cal\u00e7as curtas\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/amor-e-paixao.jpg\" alt=\"amor de cal\u00e7as curtas\" \/><\/a><\/p>\n<p>AMOR DE CAL\u00c7AS CURTAS  (Autoria: S\u00f4nia Moura)<br \/>\nNum tom de lam\u00faria ou decep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sei bem, \u00c2ngela me disse: &#8211; O amor nos prega cada pe\u00e7a!<br \/>\nSeu olhar fugia da dire\u00e7\u00e3o do meu, parecia que aquele olhar indeciso se perdia num mundo pr\u00f3prio, num mundo de d\u00favidas e ansiedade.<br \/>\nConcordei com elA. Como entender as coisas do amor ou do cora\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 que algu\u00e9m pode responder a esta pergunta?<br \/>\nTentando desatar o n\u00f3 que guarda as muitas faces de Cupido, resolvi filosofar e desfiei meu ros\u00e1rio de teorias e defini\u00e7\u00f5es sobre este complexo sentimento, embora soubesse que ningu\u00e9m e nada consegue, verdadeiramente, explicar o que \u00e9 o amor.<br \/>\nEros \u00e9 um menino de cal\u00e7as curtas, um menino levado que vive a brincar com a gente. Este menino gosta de pregar pe\u00e7as, mas, por ser menino, tamb\u00e9m espalha carinhos, meiguices, faz gra\u00e7a, nos cativa, pede aten\u00e7\u00e3o, e, \u00e0s vezes nos d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o, outras vezes nos ignora.<br \/>\nAlguns dizem que o amor \u00e9 cego, outros, que ele \u00e9 louco, h\u00e1 tamb\u00e9m os que acham que  \u00e9 sonho, para outros, \u00e9 pesadelo. E por a\u00ed vai&#8230;<br \/>\nN\u00e3o adianta tentar decifrar o amor, ele foge de qualquer defini\u00e7\u00e3o ou explica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 leis ou regras que consigam aprision\u00e1-lo, isto \u00e9 fato.<br \/>\nPara a gram\u00e1tica, amor \u00e9 substantivo comum abstrato, engra\u00e7ado, porque, na pr\u00e1tica, o amor de comum e abstrato, nada tem, ele \u00e9 incomum e apresenta uma concretude nunca vista, n\u00e3o acha? Perguntei \u00e0 mo\u00e7a do olhar ressabiado. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 coletivo para o amor, mas, a bem da verdade, todos os seres, quando est\u00e3o amando, passam a pertencer a uma mesma esp\u00e9cie, os desejos s\u00e3o coletivos, todos desejam igual, todos querem ser felizes no amor.<br \/>\nComo a forma\u00e7\u00e3o coletiva de uma cordilheira, o encontro de duas almas assemelha-se ao sistema de montanhas coladas entre si, que, tal qual os amantes, por meio desta uni\u00e3o se tornam um s\u00f3.<br \/>\nAp\u00f3s o meu discurso, pela primeira vez, \u00c2ngela olhou-me nos olhos e pude ver neles alguma esperan\u00e7a,  pareciam dizer-me que \u00c2ngela agarrava-se a uma nova forma de ver o amor, em seu olhar havia alguma alegria. S\u00f3 n\u00e3o sabia em que ponto eu havia tocado aquele cora\u00e7\u00e3o, que se mostrava atrav\u00e9s do seu olhar.<br \/>\nTentei tirar dela a explica\u00e7\u00e3o para aquela cor de esperan\u00e7a a saltar-lhe dos olhos, ela negou-se a revelar-me o motivo da mudan\u00e7a.<br \/>\nEm momentos de d\u00favida, os fantasmas plantados em nossas fantasias, nos vendem quimeras e eu comecei a divagar por entre os canteiros de minhas ilus\u00f5es e, no sil\u00eancio dos meandros da minha mente.<br \/>\nPercebi, ent\u00e3o, que quem tentar entender o amor, estar\u00e1 sempre solit\u00e1rio, ser\u00e1 sempre \u00f3rf\u00e3o, mas que, partir de nossa conversa, \u00c2ngela n\u00e3o estava mais \u00f3rf\u00e3, pois erguera-se e estava pronta para encarar o amor, esta aventura suspensa pelas pernas.<br \/>\nConfirmei que, agora, seu olhar mudara e era todo ardor, embora sua alma me dissesse, atrav\u00e9s dos seus olhos, que sabia dos caminhos tortuosos, os quais ela teria que percorrer, a fim de dar-se plenamente ao amor, mas, ao mesmo tempo, vi que ela sabia que valeria a pena desnudar-se dos arreios das incertezas para conseguir viver o amor maior.<br \/>\nApesar de estar convencida de que algo mudara drasticamente para \u00c2ngela, resolvi alargar o meu discurso, s\u00f3 para acalmar meu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAssim, continuei a falar&#8230;<br \/>\nO mist\u00e9rio do amor deve ficar dormindo at\u00e9 o momento em que venhamos a nos arriscar e abrir as janelas das almas e dos olhos para recriar o mundo do amor ponto por ponto, caminho por caminho, alegria por alegria, sen\u00e3o, estaremos para sempre fadados a viver como o amor-menino, de cal\u00e7as curtas e n\u00e3o com o amor. \u00c2ngela e suas incertezas, finalmente, acordaram minha desilus\u00e3o.<\/p>\n<p>(Do livro: MIST\u00c9RIOS E SAUDADES de S\u00f4nia Moura)<\/p>\n<p><a title=\"amor de cal\u00e7as curtas\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/cupido1.jpg\"><img alt=\"amor de cal\u00e7as curtas\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/cupido1.jpg\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AMOR DE CAL\u00c7AS CURTAS (Autoria: S\u00f4nia Moura) Num tom de lam\u00faria ou decep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sei bem, \u00c2ngela me disse: &#8211; O amor nos prega cada pe\u00e7a! 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