{"id":163,"date":"2008-03-16T21:03:49","date_gmt":"2008-03-17T01:03:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=163"},"modified":"2008-03-17T10:07:25","modified_gmt":"2008-03-17T14:07:25","slug":"a-geometria-da-luz","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=163","title":{"rendered":"A Geometria da Luz"},"content":{"rendered":"<p><a TITLE=\"LUZ\" HREF=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/luz1.jpg\"><img ALT=\"LUZ\" SRC=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/luz1.jpg\" \/><\/a><br \/>\nA cortina, embalada pelo vento, ensaia uns passos de bal\u00e9, e, no seu vai-e-vem , a geometria da luz se apresenta a mim. Na janela semi-aberta, a cortina, qual os sete v\u00e9us da bailarina, me seduz , mas se entrega ao sabor  do vento .<\/p>\n<p>Surge a primeira forma, um quadrado feito de luz e sombra, que rapidamente se duplica , quando um tra\u00e7o de sombra o divide.<br \/>\nO movimento se espalha pela cena, o vento embala a cortina que dan\u00e7a, ou melhor, apenas uma parte dela  se move, deixando a luz penetrar pela \u201cjanela lateral do quarto de dormir\u201d.<\/p>\n<p>Com este jogo de esconde e mostra, o vento quer &#8211;  me oferecer m\u00faltiplas formas, atrav\u00e9s das  varia\u00e7\u00f5es entrecruzadas de luz e sombra.<\/p>\n<p>O v\u00e9u \u2013 cortina  se abre e fecha num exerc\u00edcio fren\u00e9tico .<\/p>\n<p>O quadro de luz retorna \u00e0 cena, ali permanece por alguns instantes, para ceder lugar ao tri\u00e2ngulo luzente que se transforma em leque, em losango, num pequeno tri\u00e2ngulo  e, antes de terminar este ato, toda luz se condensa em uma pequena esfera  que se rompe em dois min\u00fasculos pontos de luz a se exibir no meio de uma sombra imensa, como se fossem duas contas douradas.<\/p>\n<p>Abruptamente a cortina se fecha.  Em cena, fica somente a sombra  que enche o palco, como se quisesse dizer: &#8211; Sou a parceira da luz, fa\u00e7o parte do jogo, fa\u00e7o parte da arte.<br \/>\nMeus olhos se deliciam com os movimentos dos que dirigem o show. O que ser\u00e1 que mais me atrai: a luz que est\u00e1 no centro das imagens formadas ou a sombra que lhes d\u00e1 o contorno?<br \/>\nE o vento resolve, novamente, balan\u00e7ar a cortina.<\/p>\n<p>Come\u00e7a outro ato.<\/p>\n<p>Adentra o palco um losango cheio de luz ou seria um bal\u00e3o aceso num c\u00e9u-ch\u00e3o?  N\u00e3o cabe aqui cantar: \u201cCai, cai, bal\u00e3o!\u201d.  A equipe que dirige o show grita  sussurrando: Vai, vai, bal\u00e3o! , esta \u00e9 a sua deixa, sai de cena, seu tempo \u00e9 curto.<\/p>\n<p>Retrucam os atores: &#8211;<strong> O tempo \u00e9 infinito!<\/strong><br \/>\nEstamos na reta final, o vento est\u00e1 cansado, sopra leve: o quadrado retorna , vai-se desmanchando, vai-se transformando, vai-se refazendo lentamente: tri\u00e2ngulo, losango, quadrado&#8230;.<br \/>\nCai o pano.<\/p>\n<p>Como se fosse \u00e0gua escorrendo pela montanha de madeira, a sombra agora est\u00e1 absoluta no palco, somente uma conta dourada desenhada por uma luz p\u00e1lida ainda insiste em atravessar a barreira , mas nem \u00e9 notada.<\/p>\n<p><strong>O espet\u00e1culo \u00e9 finito.<\/strong><\/p>\n<p>(Do livro\u00a0<strong>CONTOS E CONTAS<\/strong> de <strong>S\u00d4NIA MOURA<\/strong>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cortina, embalada pelo vento, ensaia uns passos de bal\u00e9, e, no seu vai-e-vem , a geometria da luz se apresenta a mim. 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