{"id":1571,"date":"2011-05-01T21:55:14","date_gmt":"2011-05-02T01:55:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1571"},"modified":"2011-05-02T14:57:21","modified_gmt":"2011-05-02T18:57:21","slug":"dadivosa-uma-leitura-possivel","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1571","title":{"rendered":"DADIVOSA &#8211; uma leitura poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Recebi do meu amigo Valter Estelita este belo e fascinante conto, de sua autoria.<\/p>\n<p>DADIVOSA<\/p>\n<p>Um peda\u00e7o de muro que nem muro \u00e9 cerca um quintal em que nem terra h\u00e1 e um jardim imposs\u00edvel, sem flores nem nada, comp\u00f5em a  paisagem de um sonho partido pelo grito que n\u00e3o sai.<br \/>\nAo mesmo tempo em que &#8220;flashs&#8221; espocam em buqu\u00eas e aromas, tamb\u00e9m iluminam revolta e ci\u00fame.<br \/>\nE outros recortes de ang\u00fastia formatam a noite que se arrasta e o tornam v\u00edtima dos c\u00e3es raivosos da vingan\u00e7a e da dor da falta do amor maior.<br \/>\nTenta fugir, mas os caminhos se apagam; acena para algu\u00e9m que n\u00e3o v\u00ea. At\u00e9 a garrucha enferrujada que por heran\u00e7a lhe coube, volta e meia, lhe vem \u00e0 cabe\u00e7a. Afasta o desatino de imaginar-se estirado ao lado do retrato, ou mesmo entre  grades, v\u00edtima do gesto tresloucado.<br \/>\nPergunta daqui a dali, e eis que lhe surge o que tanto almeja &#8211; a sa\u00edda.<br \/>\nNem precisa bater: a porta se abre, e quase cai nos bra\u00e7os de Francilene, que, a despeito do nome, \u00e9 rica de atributos tais, que seria imposs\u00edvel n\u00e3o dividi-los, generosa que \u00e9, com outros tantos. Da\u00ed o inconformismo de Reginaldo e esses sonhos confusos que se misturam tanto e o deixam banhado de suor nesse despertar fora de hora.<br \/>\nImprensa as l\u00e1grimas no travesseiro, a ponto de sentir o molhadinho se espalhando.<br \/>\n\u00c9 o que falta para come\u00e7ar a reencontrar o sono e a esperan\u00e7a de sonhos, agora, com uma Francilene poss\u00edvel, menos favorecida e dadivosa.<br \/>\nAbre outra porta e cai nos bra\u00e7os do despertador e da realidade.<br \/>\nA luz de mais um dia se insinua fatiada e, a essa hora, Francilene deve estar longe de despertar, provavelmente envolvida por outros bra\u00e7os, numa cama macia e perfumosa, depois de mais uma noitada&#8230;<br \/>\nT\u00e3o bom se Francilene n\u00e3o existisse!&#8230;<\/p>\n<p><strong>Eis uma leitura poss\u00edvel deste gostoso \u00a0conto:<\/strong><\/p>\n<p>Dentro de um ambiente com um forte teor afetivo, circula esta hist\u00f3ria de amor, aparentemente indefinida, pontuada por incertezas e nostalgias.<br \/>\nA interioridade permeia este conto de m\u00faltiplas dimens\u00f5es simb\u00f3licas, cuja narrativa move-se num ciclo metam\u00f3rfico que vai criando imagens din\u00e2micas, as quais nos transportam para o mundo dos sonhos, ao mesmo tempo em que finca nossos p\u00e9s em espa\u00e7os e tempos densos, divididos entre o real e o imagin\u00e1rio.<br \/>\nTexto de teor el\u00e1stico coloca o protagonista entre o amor e a dor, entre a d\u00favida e a certeza e, por suas met\u00e1foras, provoca no leitor sensa\u00e7\u00f5es de elasticidades po\u00e9ticas, as quais criam imagens fundamentais, refletindo a solid\u00e3o de um e de todos.<br \/>\nDentro desta floresta simb\u00f3lica, fulcro desta narrativa, o ci\u00fame mostra o que h\u00e1 de incontest\u00e1vel em todo cora\u00e7\u00e3o apaixonado: a d\u00favida que h\u00e1 de surgir em algum momento impreciso.<br \/>\nDesde o in\u00edcio, pela exposi\u00e7\u00e3o de fatos com significa\u00e7\u00f5es desconectadas da realidade, percebe-se a tens\u00e3o que h\u00e1 de permear a narrativa, uma vez que o ambiente apresentado j\u00e1 nos mostra uma regi\u00e3o de car\u00eancia e de perdas, mostrando um eu que se sente amputado da sua rela\u00e7\u00e3o com o outro.<br \/>\nEste &#8220;eu&#8221; parece dissolver-se em seu isolamento, com isso, o perfil da realidade, envereda-se por desvios tra\u00e7ados pelo desvario da incerteza.<br \/>\nAmea\u00e7ado por um sentimento de vazio e de incompletude, o protagonista se coloca (e coloca o leitor) a oscilar entre o sonho e a realidade, fazendo surgir uma voz pontilhada de certo encantamento barroco.<br \/>\nAssim, criando sucessivos momentos de exist\u00eancia do tempo e do espa\u00e7o, o texto traz \u00e0 superf\u00edcie uma realidade com for\u00e7a expressiva e simb\u00f3lica, como se adiasse a vinda sempre esperada e, ao mesmo tempo negada, da mulher amada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/amore1.jpg\" title=\"dadivosa\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/amore1.jpg\" alt=\"dadivosa\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\"><strong><span style=\"font-size: 10.0pt\"><\/span><\/strong><span style=\"font-size: 8.0pt\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 8.0pt\"><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi do meu amigo Valter Estelita este belo e fascinante conto, de sua autoria. DADIVOSA Um peda\u00e7o de muro que nem muro \u00e9 cerca um quintal em que nem terra h\u00e1 e um jardim imposs\u00edvel, sem flores nem nada, comp\u00f5em a paisagem de um sonho partido pelo grito que n\u00e3o sai. 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