{"id":1518,"date":"2011-02-16T16:54:34","date_gmt":"2011-02-16T20:54:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1518"},"modified":"2011-02-18T14:57:02","modified_gmt":"2011-02-18T18:57:02","slug":"cisne-negro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1518","title":{"rendered":"Cisne Negro"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<a title=\"cisne negro\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/cisne_negro1.jpg\"><img alt=\"cisne negro\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/cisne_negro1.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Cisne Negro\u00a0\u00a0  (Autoria: S\u00f4nia Moura)<\/p>\n<p>Vamos dar um tempo em O Baile das M\u00e1scaras, mas,  ainda assim vamos continuar bailando, para falarmos sobre o filme Cisne Negro,  que tem como pano de fundo o bal\u00e9 O Lago dos Cisnes.<\/p>\n<p>Assim,  entre o voo do cisne e as margens do Lago, de forma perspicaz, o filme nos  coloca nas margens da arte, mas, se al\u00e7aremos voos majestosos ou se  mergulharemos nos profundos lagos da nossa mente e de nossa alma, somente a  compreens\u00e3o de cada um poder\u00e1 dizer.<\/p>\n<p>Bailando ou representado num tablado de encontros e  desencontros, vamos percorrendo os caminhos da lucidez e da loucura, os quais  se cruzam entre as esquinas do sonhos, das fantasias, das realidades, das  sandices, das vaidades\u00a0 e das buscas por  novos caminhos, a partir de qualquer ponto ou de qualquer encruzilhada da mente  e viv\u00eancia da personagem principal (Nina) e tamb\u00e9m do espectador.<\/p>\n<p>Este  \u00e9 um filme extremamente po\u00e9tico, e a sua poesia parte justamente dos pontos de  conflitos t\u00e3o comuns, mas que nos parecem muito distantes, porque n\u00e3o  desejamos ou n\u00e3o conseguimos v\u00ea-los e muito menos tir\u00e1-los do nosso mundo  submerso, quem sabe, por ser t\u00e3o dif\u00edcil nos afastarmos do que pensamos ser  nossa zona de conforto, isto \u00e9, aquilo que j\u00e1 est\u00e1 (quase) cimentado em n\u00f3s?<\/p>\n<p>Nas  cavernas das mentes, h\u00e1 sempre algo mais a ser explorado e, na verdade, o que  este filme nos traz \u00e9 um profundo questionamento sobre o comportamento e sobre  a alma humana e suas sucessivas obliqua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Simbolicamente,  se entendermos o cisne negro como representante do mal e o cisne branco como  representante do bem, constataremos que buscamos sempre eliminar o cisne negro  e iluminar o cisne branco, j\u00e1 que ambos existem em todos n\u00f3s, neste enredo,  vamos perceber que isto \u00e9 o que sempre se fez e sempre se faz, seja porque  somos conduzidos por nossas experi\u00eancias,viv\u00eancias ou porque somos induzidos  por conceitos religiosos, morais ou sociais.<\/p>\n<p>E,  para arrancarmos de n\u00f3s o lado cisne negro, precisamos encontrar culpados por  nossas &#8220;falhas&#8221; e, assim como os cisnes (negro e branco) nos tornamos  dependentes do outro para sobreviver, para nos transformarmos e para deixarmos  aflorar a dualidade que existe em todos n\u00f3s e passamos a viver atr\u00e1s das grades  de nossas pr\u00f3prias pris\u00f5es, e assim, passamos a ter\u00a0 a solid\u00e3o como companhia.<\/p>\n<p>Quando  somos\/estamos dependentes e\/ou nos deixamos dominar por qualquer tipo de  enfeiti\u00e7amento, os nossos voos n\u00e3o acontecem, somos p\u00e1ssaros com asas  quebradas, cortadas e, se n\u00e3o voamos, fica muito dif\u00edcil mergulharmos em nosso  lago pessoal.<\/p>\n<p>Para  mim, este \u00e9 um dos destaques do filme ao mostrar que somos prisioneiros de n\u00f3s  mesmos, quando acreditamos que o &#8220;feiticeiro Rothbart&#8221; \u00e9 dono do nosso destino,  ou quando acreditamos que apenas a fidelidade de um amor eterno poder\u00e1 nos  salvar.<\/p>\n<p>O  filme nos apresenta uma densa teia que metaforiza as dualidades humanas, os  conflitos criados por n\u00f3s ou pelo outro, e, para nos livrarmos desta teia  aprisionadora, \u00e9 preciso nos livrarmos do que se costuma aclamar como perfei\u00e7\u00e3o  e tamb\u00e9m nos apartarmos do eterno.<\/p>\n<p>Nada  \u00e9 para sempre e nada \u00e9 totalmente perfeito. Nada e Ningu\u00e9m!<\/p>\n<p>J\u00e1  que o filme toma como trampolim o Lago dos Cisnes, para falar da vida e da  morte, a dualidade barroca \u00e9 a grande estrutura de ambas as obras &#8211; o bal\u00e9 e o  filme &#8211; nos quais a solid\u00e3o dos personagens dilui-se pelas veredas da solid\u00e3o  humana, e para dar adeus \u00e0 solid\u00e3o, um dos cisnes dever\u00e1 morrer, por este  motivo, Nina mata o cisne branco, pois este \u00e9 mais irreal em n\u00f3s que o  considerado indevido, incorreto e abjeto &#8211; o cisne negro.<\/p>\n<p>No  filme, a fantasia, assim como a realidade pode ser somente uma redund\u00e2ncia, e,  por outro lado, esteticamente ele nos mostra que a sua plenitude po\u00e9tica  pressup\u00f5e a convic\u00e7\u00e3o de um real entre o realizado e o fantasiado, e, ainda que  a pr\u00e1tica produtiva humana n\u00e3o seja exercida sem que se a represente como  ideologia articuladora das rela\u00e7\u00f5es sociais, nem a vida nem a arte se reduzem  ao conhecimento nem \u00e0 teoria ou \u00e0 t\u00e9cnica, portanto, \u00e9 preciso sentir.<\/p>\n<p>Em  suma, este filme \u00e9 uma par\u00e1frase contextual da vida.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/cisne_negro21.JPG\" title=\"cisne negro\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/cisne_negro21.JPG\" alt=\"cisne negro\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Cisne Negro\u00a0\u00a0 (Autoria: S\u00f4nia Moura) Vamos dar um tempo em O Baile das M\u00e1scaras, mas, ainda assim vamos continuar bailando, para falarmos sobre o filme Cisne Negro, que tem como pano de fundo o bal\u00e9 O Lago dos Cisnes. 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