{"id":1302,"date":"2010-07-16T15:38:18","date_gmt":"2010-07-16T19:38:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1302"},"modified":"2010-07-16T16:20:40","modified_gmt":"2010-07-16T20:20:40","slug":"discurso-solto-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1302","title":{"rendered":"DISCURSO SOLTO NA RUA"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/discursopublico.jpg\" title=\"DISCURSO SOLTO NA RUA\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/discursopublico.jpg\" alt=\"DISCURSO SOLTO NA RUA\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 0cm\"><span style=\"font-size: 14.0pt\">DISCURSO SOLTO NA RUA (S\u00f4nia Moura)<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 0cm\"><span style=\"font-size: 14.0pt\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 0cm\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>O discurso do artista de rua como um lugar de intera\u00e7\u00e3o, onde  os enunciados provocam novas modalidades de interlocu\u00e7\u00e3o, o sujeito falante  (artista\/ator\/autor\/produtor\/emissor) produz um enunciado capaz de fazer o  outro sujeito (p\u00fablico\/receptor) penetrar no universo do fazer art\u00edstico,  atrav\u00e9s do portal do discurso constru\u00eddo por um <em>eu<\/em>, que multiplica a sua<span>\u00a0  <\/span>fala sedutora para<span>\u00a0 <\/span>todos.<span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 0cm\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Portanto, mesmo que seja em condi\u00e7\u00f5es absolutamente adversas, o  efeito nascido deste tipo de discurso ultrapassa as expectativas de qualquer  modelo comunicacional, sendo esta mais uma constata\u00e7\u00e3o de que os signos  ling\u00fc\u00edsticos, quando estrategicamente operados pelo emissor, conseguem  surpreender, contaminando, at\u00e9 mesmo um passante distra\u00eddo ou desinteressado.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 21.3pt\">Para Arist\u00f3teles: \u201cO  homem se compraz com a imita\u00e7\u00e3o\u201d, cabe, pois, ao emissor, atrav\u00e9s do seu  di\u00e1logo com o espectador, apagar as marcas vis\u00edveis da imita\u00e7\u00e3o, inserindo-lhe,  pela sua fala, o ineditismo, fazendo-o crer ser verdadeiro o que, por vezes, \u00e9  apenas veross\u00edmil.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 21.3pt\">Uma vez que o homem s\u00f3  tem acesso ao \u201creal\u201d atrav\u00e9s da linguagem, a palavra (protagonista), junto com  outras formas de linguagem:<span>\u00a0 <\/span>risos,  olhares, convites gestuais,<span>\u00a0 <\/span>no espa\u00e7o  p\u00fablico &#8211; barulhento, borbulhante, desordenado, febril, o discurso do artista  de rua<span>\u00a0 <\/span>une<span>\u00a0\u00a0 <\/span>subjetividades e<span>\u00a0  <\/span>objetividades e estas unem o p\u00fablico num mesmo espa\u00e7o<span>\u00a0 <\/span>em torno de manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas  populares, assim sendo, cabe ao artista, que ocupa este espa\u00e7o, seduzir o  passante, possuindo-o com suas palavras, em forma de um convite direto,  imediato, convencendo cada<span>\u00a0 <\/span>transeunte  de que ele \u00e9 o eleito, o privilegiado, o escolhido a participar daquela festa.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 21.3pt\">A partir da conquista e  da cumplicidade que \u00e9 estabelecida pela for\u00e7a discursiva,<span>\u00a0 <\/span>de uma forma ou de outra, todos passam a  participar das apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, uma vez que todos \u2013 artista, p\u00fablico  participante ou p\u00fablico assistente &#8211; riem, brincam, se espantam, se encantam,  duvidam, e neste instante, o artista constr\u00f3i, atrav\u00e9s do seu discurso (que  tamb\u00e9m faz parte do seu fazer art\u00edstico) e de sua arte, similaridades  comportamentais, quando coloca no centro da roda,<span>\u00a0\u00a0 <\/span>por meio de sua imagem \u2013 presen\u00e7a, a imagem de uma arte \u201cfeita  naquele instante\u201d, \u201csa\u00edda agorinha do forno\u201d para a degusta\u00e7\u00e3o do seu p\u00fablico,  que est\u00e1 dividindo interesses comuns e partilhando sentimentos, no meio de uma  multid\u00e3o que, em geral, sequer se conhece.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 21.3pt\">Para <strong>Charaudeau<\/strong> <strong>(p. 28), <\/strong>\u201c<em>O sentido do discurso<\/em> <em>depende das circunst\u00e2ncias da enuncia\u00e7\u00e3o e  dos destinat\u00e1rios aos quais o discurso \u00e9 dirigido\u201d<\/em><span>, deste modo, <\/span>o enunciado que circula pelo espa\u00e7o p\u00fablico  apresenta tra\u00e7os diferenciados e \u00e9<span>\u00a0  <\/span>dirigido a um p\u00fablico totalmente heterog\u00eaneo, o qual ouve uma voz que se  volta para<span>\u00a0 <\/span>a amplia\u00e7\u00e3o do apelo e da sedu\u00e7\u00e3o  e esta voz obt\u00e9m como resposta a participa\u00e7\u00e3o de uma assist\u00eancia relaxada,  envolvida, persuadida a ficar, neste instante, porque o p\u00fablico espectador foi  apanhado pela rede do discurso competente do emissor, um discurso que apresenta  duas faces: a face <em>conotativo <\/em><strong>(<\/strong>significado ideol\u00f3gico:<span>\u00a0 <\/span>\u201ca venda de um produto<strong>\u201d) <\/strong>e a face <em>denotativa <\/em>(literaridade  aparente do discurso art\u00edstico<strong>) . <\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 21.3pt\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"text-indent: 21.3pt\"><strong>(UFF \u2013 2009)<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<a title=\"discurso solto na rua\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/palavras-copy.jpg\"><img alt=\"discurso solto na rua\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/palavras-copy.jpg\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 DISCURSO SOLTO NA RUA (S\u00f4nia Moura) \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O discurso do artista de rua como um lugar de intera\u00e7\u00e3o, onde os enunciados provocam novas modalidades de interlocu\u00e7\u00e3o, o sujeito falante (artista\/ator\/autor\/produtor\/emissor) produz um enunciado capaz de fazer o outro sujeito (p\u00fablico\/receptor) penetrar no universo do fazer art\u00edstico, atrav\u00e9s do portal do discurso constru\u00eddo por 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