{"id":1194,"date":"2010-04-07T19:41:46","date_gmt":"2010-04-07T23:41:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1194"},"modified":"2010-04-10T11:04:33","modified_gmt":"2010-04-10T15:04:33","slug":"gavetas-secretas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1194","title":{"rendered":"GAVETAS SECRETAS"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/livros-gaveta.jpg\" title=\"GAVETAS SECRETAS\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/livros-gaveta.jpg\" alt=\"GAVETAS SECRETAS\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\"><strong><span style=\"font-family: Tahoma\">GAVETAS  SECRETAS<\/span><\/strong><span style=\"font-family: Tahoma\"><span>\u00a0 <\/span>(Autoria<\/span>: <strong><span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'Monotype Corsiva'\">S\u00f4nia Moura<\/span><\/strong>)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">De gavetas secretas,  retiro cartas antigas, escritos perdidos, escritos escondidos de mim e do  mundo, tudo t\u00e3o amarelado como o tempo que tamb\u00e9m se escondeu de mim, ent\u00e3o, aquelas palavras, sem nenhuma lapida\u00e7\u00e3o, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o  senhoril, saltam para o colo dos meus olhos e se atiram em minhas retinas, e,  como crian\u00e7as, brincam<span>\u00a0 <\/span>de pique  esconde, brincam de roda e de cabra cega.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">Parece-me ouvir-lhes as  gargalhadas infantis, soltas, livres, correndo para mim, e mesmo que eu quisesse  repudi\u00e1-las, n\u00e3o conseguiria, elas se aninhavam em meus poros e defloravam meus  ouvidos, desvirginando o passado.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">Como p\u00e1ssaros na  primavera, cantam suas hist\u00f3rias e bolem com minhas mem\u00f3rias.<span>\u00a0 <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">Seriam as gavetas suas gaiolas? Ou seriam o  papel e a tinta? Ou seria somente a escrita?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">Quando se mostram  sentimentais me provocam o choro, no entanto, se est\u00e3o alegres, me provocam o  riso, despertam<span>\u00a0 <\/span>sensa\u00e7\u00f5es adormecidas,  mas, se querem a festa ou o luto, se enterram em meu cora\u00e7\u00e3o, ora como flechas  de Cupido, ora como flechas embebidas em curare, de uma forma ou de outra me  entorpecem a alma, mas n\u00e3o morro, pe\u00e7o socorro a outras palavras e elas veem em  meu aux\u00edlio, me resgatam e me acalentam, ao (re)encenarem encantos e sil\u00eancios,  trazendo para a vida momentos de gra\u00e7a e deslumbramentos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">Equilibrando-se no fio da  navalha, o fio do meu olhar l\u00ea o quase indiz\u00edvel, o quase invis\u00edvel e segue  desenhando elipses vocabulares e geom\u00e9tricas no emaranhado de palavras que  versam sobre o que poderia ser entendido como imposs\u00edvel, e que somente a for\u00e7a  da poesia \u00e9 capaz de tornar imediatamente poss\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">Procuro ficar vigilante,  nego que qualquer escrito seja fingimento, ponho-me em alerta contra a  insist\u00eancia da dor, que insiste em atrapalhar a nossa festa, mas permito que a  solid\u00e3o e a ilus\u00e3o cheguem de mansinho, para colocar ordem na casa, chamando a  dor para o meio da roda, levando-a a rodopiar, at\u00e9 ela se cansar.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">A presen\u00e7a de todas as  tramas, de todos os dramas, de todos os eus, de todos os n\u00f3s, de todos os  estamos s\u00f3s circunscrevia-se em n\u00f3s dif\u00edceis de se desatar, era o verbo que se  fazia homem ou era o homem que se fazia verbo, metaforizado em ritmos e rimas a  devorar a exist\u00eancia de tempos, de alegrias ou de lamentos, num divino  regresso. Era o et\u00e9reo encantamento da poesia que bailava no ar.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">Aquele turbilh\u00e3o de  palavras poderia transformar-se em tormento, mas o crep\u00fasculo dos deuses dava  nova forma \u00e0quele momento, onde pedras, flores, \u00e1guas, c\u00e2nticos tinham a mesma  leveza do amor, tornando tudo sagrado, pondo todos sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os da transcendental  cria\u00e7\u00e3o dos substantivos, dos adjetivos, dos verbos, dos adv\u00e9rbios e de todos  os art\u00edfices que emolduravam aqueles tesouros escondidos no fundo da gaveta  secreta.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">A vida e a morte  confrontavam-se num duelo \u00e0 luz do sol e este duelo poderia n\u00e3o terminar, mas,  bastou a luz da lua se aproximar e as duas se acalmaram, para que o mais forte do  ser &#8211; poeta pudesse se mostrar \u00e0s estrelas, permitindo que as palavras saissem da fenda  da mem\u00f3ria, do rastro da hist\u00f3ria, da rede do tempo, fazendo v\u00e1rios movimentos  para provocar o poeta, para animar a festa que acontecia, no palco celestial da  escrita.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">Como frutos maduros que,  ao serem mordidos, deixam escorrer o mais doce do seu mel, isolando o fel, as  palavras permitem a quem as l\u00ea o direito de penetrar em suas cavernas, em suas  florestas; escalar montanhas ou descer aos vales e ainda permite ao leitor que  lhes arranque os mil v\u00e9us e, neste instante, elas se deixam revelar, para que  o leitor possa penetrar em para\u00edsos perdidos e neles se (re)encontrar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-family: Tahoma\">(Autoria: S\u00f4nia Moura)<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><a title=\"GAVETAS SECRETAS\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/livroaberto.jpg\"><img alt=\"GAVETAS SECRETAS\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/livroaberto.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\" style=\"tab-stops: 336.9pt\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span>\u00a0<\/span><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span>\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 GAVETAS SECRETAS\u00a0 (Autoria: S\u00f4nia Moura) &nbsp; De gavetas secretas, retiro cartas antigas, escritos perdidos, escritos escondidos de mim e do mundo, tudo t\u00e3o amarelado como o tempo que tamb\u00e9m se escondeu de mim, ent\u00e3o, aquelas palavras, sem nenhuma lapida\u00e7\u00e3o, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o senhoril, saltam para o colo dos meus olhos e se atiram em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false},"categories":[5],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pmZuW-jg","jetpack-related-posts":[{"id":2426,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2426","url_meta":{"origin":1194,"position":0},"title":"SEM AMANH\u00c3?","date":"9 setembro 2016","format":false,"excerpt":"Esmeralda disse \u00e0 Sofia que tinha certeza de que tudo estava acabado, n\u00e3o havia mais esperan\u00e7a, uma pena, pensou ela, porque ainda havia muito amor. 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