{"id":1134,"date":"2010-02-07T15:01:47","date_gmt":"2010-02-07T19:01:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1134"},"modified":"2010-02-07T15:04:29","modified_gmt":"2010-02-07T19:04:29","slug":"o-vazio-%e2%80%9cpreenchido%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1134","title":{"rendered":"O VAZIO \u201cPREENCHIDO\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"tab-stops: 325.4pt\">\u00a0<a title=\"O VAZIO \u201cPREENCHIDO\u201d\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/midia.jpg\"><img alt=\"O VAZIO \u201cPREENCHIDO\u201d\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/midia.jpg\" \/><\/a><\/h2>\n<p>O VAZIO \u201cPREENCHIDO\u201d<span> \u00a0 \u00a0(Autoria: S\u00f4nia Moura)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><em><span>\u00a0<\/span><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/em>Em sua obra <strong><em>A  sociedade do espet\u00e1culo<\/em><\/strong><span>, <\/span>Guy  Debord(*) nos remete ao <strong>espet\u00e1culo da sociedade<\/strong>, apontando que, neste  mundo moderno \/ p\u00f3s-moderno \u2013 globalizado, o sistema vigente<span>\u00a0 <\/span>fundamenta-se na mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo e  no fetichismo generalizado do sujeito e do objeto. O autor apresenta-nos a <em>sociedade contempor\u00e2nea<\/em> refletida<span>\u00a0 <\/span>num enorme espelho preso na parede de  um<span>\u00a0 <\/span>corredor iluminado, o qual multiplica  atos e fatos de uma sociedade que est\u00e1 sempre pronta a transformar qualquer  situa\u00e7\u00e3o, evento, trag\u00e9dia ou gl\u00f3ria, em <strong>espet\u00e1culo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt\" class=\"MsoNormal\">Tomando como  base a teoria marxista (especialmente ditames de <em>O Capital<\/em>), entre  outras brilhantes afirmativas como esta: \u201c<em>Toda  a vida das sociedades<span>\u00a0 <\/span>nas quais reinam  as modernas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o se apresenta como uma imensa acumula\u00e7\u00e3o de <u>espet\u00e1culos<\/u>.  Tudo o que era vivido diretamente tornou-se representa\u00e7\u00e3o.(p.13)\u201d<\/em>, Debord  nos conduz pelos caminhos labir\u00ednticos e tortuosos do vazio espetacular<strong>: <em>O VAZIO \u201cPREENCHIDO\u201d. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Ao assegurar  que a vida real \u00e9 vivida atrav\u00e9s da imagem e do ilus\u00f3rio &#8211; ampliado,  multiplicado, reproduzido, cuidadosamente pela m\u00eddia &#8211; o pensador nos apresenta  uma sociedade simplificada, apontando para o nosso papel \u00fanico de espectadores  constantemente<span>\u00a0 <\/span>expectados, controlados  pelos olhos cru\u00e9is da m\u00eddia, ao mesmo tempo em que esta controla nossos  olhares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Deste modo,  manipulados por h\u00e1beis titereiros, seguimos arrastando nossas correntes  espetacularmente leves, adorando o deus maior de nossa \u201cdemocracia social\u201d: <em>O ESPET\u00c1CULO. E, assim sendo, \u00e9 no espet\u00b4culo mitologizado, mitificado e ritualizado; no sensacional e no simulacro, que a sociedade se contempla e completa. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\"><em>\u00c9 para ele &#8211; o espet\u00e1culo &#8211; que os olhares do sujeito desamparado se voltam \u00e0 procura de qualquer marca que lhe ofere\u00e7a algum sinal de pertencimento, de identifica\u00e7\u00e3o, o fato \u00e9 que a m\u00eddia faz o espet\u00e1culo e a busca do indiv\u00edduo no coletivo consagra-se pela completude hipnotizante das imagens.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">O espet\u00e1culo  substitui a realidade (temos agora o sucesso total:<span>\u00a0 <\/span>os <em>Reality <\/em>Shows<em>&#8211; <\/em>existe algo mais \u201cirreal\u201d?). E nestes  tipos de programa (\u201creality\u201d), a imagem \u00e9 verificada na\/\u00e0 sombra da realidade  da qual<span>\u00a0 <\/span>todos julgam participar, todo  momento \u00e9 coletivo, plural, confirmando o que diz Debord: \u201c<em>O espet\u00e1culo n\u00e3o \u00e9 um conjunto de imagens, mas uma rela\u00e7\u00e3o social entre  pessoas, medida por imagens\u201d(p.14)<\/em>, esta rela\u00e7\u00e3o apontada no texto  refere-se a todos os n\u00edveis: o profissional e o pessoal. \u00c9 cosmovis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Desta forma,  as rela\u00e7\u00f5es humanas transformam-se em imagens espetaculares, pois, no<span>\u00a0 <\/span>mundo dos <em>Reality Shows &#8211; <\/em><span>\u00a0<\/span>TUDO \u00c9  PERFEITO \u2013 at\u00e9 mesmo as conflituosas<span>\u00a0  <\/span>rela\u00e7\u00f5es humanas, pois estas passam a ser uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel das  satisfa\u00e7\u00f5es sensoriais,<span>\u00a0 <\/span>pela visibilidade  ostensiva que lhes \u00e9 dada:<span>\u00a0 <\/span>beleza,  felicidade, bem- estar, alegria e a certeza inabal\u00e1vel de <strong>sucesso<\/strong><span>, ratificando o que <\/span>preconizou  Andy Warhol: \u201cT<em>odos ter\u00e3o seus l5 minutos  de fama.\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Hoje em dia,  ironicamente, o que nos falta, \u00e9 o vazio, pois o que existe \u00e9 um excesso de  preenchimentos do\/no ambiente social, colocando-nos extremamente vulner\u00e1veis \u00e0  sedu\u00e7\u00e3o dos objetos (consumo) e ao seu intermin\u00e1vel processo de substitui\u00e7\u00e3o  das emo\u00e7\u00f5es, \u00e9 o que aponta Debord como a <u>ideologia materializada<\/u><em> \u2013\u201cprovocada pelo \u00eaxito concreto da produ\u00e7\u00e3o  econ\u00f4mica autonomizada, na forma de espet\u00e1culo, praticamente confunde com a  realidade social uma ideologia que conseguiu recortar todo o real de acordo com  o seu modelo.\u201d <\/em>(*p.137).<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Deste modo, \u00e9  pelo<span>\u00a0 <\/span>mundo da mercadoria, atrav\u00e9s  do<span>\u00a0 <\/span>espet\u00e1culo, que o homem contempla,  idealiza, sonha, vivencia uma realidade que <em>parece<\/em>  real; uma realidade forjada<span>\u00a0 <\/span>pelos  \u201cdonos da comunica\u00e7\u00e3o\u201d, que fazem nascer os mitos modernos: deuses e deusas da  beleza, do esporte, da arte \u2013 todos glorificados, todos precisam ser  multiplicados (copiamos as roupas, os modos, a cultura, etc.), somos rob\u00f4s  felizes e uniformizados; tudo \u00e9 previs\u00edvel, tudo \u00e9 determinado,  computadorizado, tudo nos leva \u00e0 sujei\u00e7\u00e3o do comando (in)vis\u00edvel do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Tudo passa a  ser representa\u00e7\u00e3o ( a este fen\u00f4meno os <em>Situacionistas  <\/em>chamam de Espet\u00e1culo). Cria-se o esvaziamento das expectativas sociais e  individuais ao mesmo tempo em que se criam expectativas \u201creais\u201d, urgentes,  criam-se <em>necessidades <\/em>por meio do  espet\u00e1culo abstrato\/concreto que se instaura na sociedade, destronando a vida  social e o mundo real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">\u00c9 a economia  mercantil- espetacular que \u00e0 produ\u00e7\u00e3o alienada vem juntar-se o consumo  alienado, no momento em que se coloca simbolicamente<span>\u00a0 <\/span>o maior produto \u00e0 venda no mercado: a imagem, o simulacro de que  n\u00e3o existe<span>\u00a0 <\/span>hegemonia social. Somos  todos iguais (por exemplo: nos p\u00e9s \u2013 quando compramos, usamos a mesma marca de  t\u00eanis, ou quando vestimos o mesmo jeans, ou quando pensamos gostar (ou  gostamos?) da mesma m\u00fasica, da mesma arte, falamos o mesmo idioma, etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Deuses e deusas m\u00edticos &#8211; produto ou pessoa &#8211; apresentados em destaque pela m\u00eddia, representam a pr\u00f3pria vida, s\u00e3o o real, s\u00e3o o desejado, uma vez que s\u00e3o a imagem da ressimboliza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"font-size: 12.0pt\"><span>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span><\/span><span>\u00a0<\/span>Pela constru\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio assimilado, o  indiv\u00edduo,<span>\u00a0 <\/span><em>alienado do seu trabalho<\/em>, do seu papel social, submete-se a  exig\u00eancias objetivas e alheias, afastando-se de suas necessidades subjetivas,  pessoais, enquanto executa o <em>seu trabalho  alienado<\/em> e<span>\u00a0 <\/span>sequer percebe o<span>\u00a0\u00a0 <\/span>resultado deste, que<span>\u00a0 <\/span>tamb\u00e9m se torna<span>\u00a0 <\/span>alienado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Segundo Erich  Fromm, o homem leva uma vida alienada quando \u201c<em>n\u00e3o se sente como centro do seu mundo, como o criador de seus pr\u00f3prios  atos \u2013 j\u00e1 que esses atos e suas conseq\u00fc\u00eancias se tornaram os senhores a quem  ele obedece ou mesmo cultua.\u201d <\/em><span lang=\"EN-US\">(<u>The sane society, 1955, p.120)<\/u>. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Esta defini\u00e7\u00e3o  psicanal\u00edtica para<span>\u00a0 <\/span><em>aliena\u00e7\u00e3o <\/em>\u00e9 colocada no calabou\u00e7o pela sociedade do espet\u00e1culo,  onde as emo\u00e7\u00f5es e as percep\u00e7\u00f5es individuais encontram-se anuladas, desviadas,  voltadas somente para o pr\u00f3prio espet\u00e1culo, uma vez que, ao indiv\u00edduo &#8211;  espectador, prisioneiro do espet\u00e1culo,<span>\u00a0  <\/span>fica vedada qualquer<span>\u00a0  <\/span>possibilidade de <u>n\u00e3o<\/u> se perceber como centro do (seu) mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">O indiv\u00edduo \u00e9 o cliente e o cliente tem sempre raz\u00e3o, tudo que o marketing faz \u00e9 &#8220;pensando nele&#8221;. E \u00e9 neste jogo de domina\u00e7\u00e3o, transvestido de anima\u00e7\u00e3o, que\u00a0 o valor de troca (mais quantitativo) toma o lugar do valor de uso (mais qualitativo).<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\"><span>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/span>Ao substituir o ator principal (Uso) colocando em seu  lugar uma atriz principal (Troca), todas as caracter\u00edsticas do outro ator (Uso)  s\u00e3o peremptoriamente negadas, uma vez que, <em>\u201cno  valor de uso, a mercadoria apresenta-se como produto, portanto como resultado  de um trabalho \u2013 Marx diz: trabalho tornado objeto. Neste sentido, todas as  mercadorias s\u00e3o cristaliza\u00e7\u00f5es do trabalho gasto para produzi-las, s\u00e3o a  materializa\u00e7\u00e3o do trabalho social, e as pr\u00f3prias diferen\u00e7as materiais dos  valores de uso exprimem, no processo de produ\u00e7\u00e3o, trabalhos substancialmente  diferentes. Por outro lado, enquanto valores de uso, as mercadorias foram produzidas  por indiv\u00edduos diferentes \u2013 portanto resultam de trabalhos individualmente  diferentes.\u201d <\/em>(Laymert p. 60).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\" class=\"MsoNormal\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Deste modo, o trabalho \u00e9 tornado abstrato, anula- se o  individual, indiferencia<em>-se <\/em>o ato,  homogeiniza-se o trabalho e o trabalhador \u2013 este \u00e9 o valor de Troca. \u00c9 o <em>espet\u00e1culo<\/em> fazendo despontar <em>necessidades.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">No reino do  espet\u00e1culo, da representa\u00e7\u00e3o fetichizada do objeto, da mercadoria e da pessoa,  a apar\u00eancia ocupa lugar de destaque, e desta forma,<span>\u00a0 <\/span>o <em>Ser <\/em>d\u00e1 lugar<em> <\/em>ao<em>  Ter,<\/em> que cede lugar ao <em>Parecer.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Uma vez que  vivemos num <em>tempo e espa\u00e7o abstratos<span>\u00a0  <\/span><\/em>do mercado que serve ao espet\u00e1culo e do espet\u00e1culo que serve ao  mercado \u2013, estamos todos presos num c\u00edrculo espacio &#8211; temporal que isola e  junta o espa\u00e7o e o tempo unificados pela produ\u00e7\u00e3o capitalista. Dentro desta  rede (in)vis\u00edvel, encontramo-nos dissolvidos, sem autonomia,<span>\u00a0 <\/span>caminhamos<span>\u00a0  <\/span>por um corredor exprimido, presos e perdidos num mundo \u201csem fronteiras e  sem barreiras\u201d, onde<span>\u00a0 <\/span><em>s\u00f3 h\u00e1 um espa\u00e7o livre: o espa\u00e7o da  mercadoria e do espet\u00e1culo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Os aliados &#8211;  mercadoria e espet\u00e1culo &#8211; encurtam, reduzem desmancham as dist\u00e2ncias &#8211;  temporais e espaciais -, dando a impress\u00e3o de uni\u00e3o total, assim, a separa\u00e7\u00e3o  social e econ\u00f4mica se torna t\u00e3o abstrata como o trabalho e de seu resultado,  diluindo tamb\u00e9m a imagem do trabalhador. A partir deste ponto, est\u00e3o anuladas  as diferen\u00e7as, n\u00e3o h\u00e1 mais o individual, s\u00f3 o coletivo, porque a imagem do uno  nos une. O espa\u00e7o \u00e9 \u00fanico e nele o espet\u00e1culo nos consola, e em seu seio nos  aninha,<span>\u00a0 <\/span>vivemos na mesma e grande  \u201caldeia global\u201d, n\u00e3o \u00e9 um ESPET\u00c1CULO?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">Somos  consumidores vorazes, consumimos imagens e elas nos consomem, n\u00e3o temos querer,  a representa\u00e7\u00e3o reificada nos domina; s\u00e3o os nossos s\u00edmbolos, n\u00e3o h\u00e1 mais  di\u00e1logo, n\u00e3o h\u00e1, de fato, rituais, s\u00f3 h\u00e1 o isolamento, a separa\u00e7\u00e3o, mas, como  bailarinos autistas somos dan\u00e7arinos dentro do mesmo cord\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">A mercadoria  fetichizada ocupa todo o nosso tempo e o nosso espa\u00e7o, ocupa toda a vida  social, \u00e9 a economia pol\u00edtica que nos consome, enquanto isto, alienados, somos  nada, somos somente <em>consumidores e  espectadores.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\">O espet\u00e1culo  mercantil desfaz a hist\u00f3ria, desconstr\u00f3i<span>\u00a0  <\/span>linguagens, \u201cindependencia e enriquece\u201d a<span>\u00a0 <\/span>cultura, anulando oposi\u00e7\u00f5es, empurrando a cultura para o espa\u00e7o  da unidade, leva-a a <em>negar-se<\/em> <em>a si mesma, a deixar de ser plural,  desmitifica-a.<\/em> Apresenta-se-nos, ent\u00e3o, o processo dicot\u00f4mico da <em><u>nega\u00e7\u00e3o e do consumo da cultura.<\/u><\/em><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36.0pt\" class=\"MsoNormal\"><em>No embate tradi\u00e7\u00e3o x inova\u00e7\u00e3o, sair\u00e1 vitoriosa a inova\u00e7\u00e3o, a qual, no entanto, s\u00f3 se manter\u00e1 viva se tiver um embasamento hist\u00f3rico total, so este poderia evitar a separa\u00e7\u00e3o, mas como h\u00e1 muito tempo a hist\u00f3ria foi desconstru\u00edda pelo espet\u00e1culo, logo, a hist\u00f3ria da cultura tender\u00e1 a morrer sufocada.\u00a0<\/em><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">Segundo  Debord, <em>\u201cA nega\u00e7\u00e3o real da cultura \u00e9 a  \u00fanica coisa que lhe conserva o sentido.\u201d<\/em> (*p.120)<em> <\/em>, por\u00e9m, na linguagem da contradi\u00e7\u00e3o \u2013 nega\u00e7\u00e3o e consumo \u2013 uma voz  unificada, a da cr\u00edtica da cultura, que j\u00e1 n\u00e3o se separa da cr\u00edtica social,  precisa mudar, precisa usar a dial\u00e9tica, s\u00f3 assim dar\u00e1 voz \u00e0 cultura.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">Assim sendo, como\u00a0 nada do que nos \u00e9 mostrado poder\u00e1, de fato, ser confirmado, nem mesmo a cultura &#8220;negada ou consumida&#8221;, s\u00f3 nos resta confiar na imagem, no marketing, e, para tal, teremos que aprender a separar o joio do trigo e sorver o que, porventura, houver de verdade, naquilo que nos \u00e9 mostrado, ainda que saibamos que a realidade \u00e9 a imagem e a imagem \u00e9 o espet\u00e1culo e este suplanta a realidade.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\"><span style=\"font-size: 10.0pt\">DEBORD, Guy. <u>A sociedade  do espet\u00e1culo. <\/u>Rio de Janeiro:<span>\u00a0 <\/span>Contraponto,  1977.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\"><span style=\"font-size: 10.0pt\"><\/span>SANTOS,  Laymert. <u>Aliena\u00e7\u00e3o e Capitalismo.<\/u> S\u00e3o Paulo: Brasiliense.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">(Trabalho apresentado &#8211; UFF &#8211; 2007)<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/sociedade-do-espetaculo.jpg\" title=\"O VAZIO \u201cPREENCHIDO\u201d\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/sociedade-do-espetaculo.jpg\" alt=\"O VAZIO \u201cPREENCHIDO\u201d\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 O VAZIO \u201cPREENCHIDO\u201d \u00a0 \u00a0(Autoria: S\u00f4nia Moura) \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em sua obra A sociedade do espet\u00e1culo, Guy Debord(*) nos remete ao espet\u00e1culo da sociedade, apontando que, neste mundo moderno \/ p\u00f3s-moderno \u2013 globalizado, o sistema vigente\u00a0 fundamenta-se na mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo e no fetichismo generalizado do sujeito e do objeto. O autor apresenta-nos a sociedade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false},"categories":[6],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pmZuW-ii","jetpack-related-posts":[{"id":1174,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1174","url_meta":{"origin":1134,"position":0},"title":"FACETAS DIN\u00c2MICAS:  globaliza\u00e7\u00e3o e cultura","date":"21 mar\u00e7o 2010","format":false,"excerpt":"\u00a0 \u00a0 1 \u00a0- \u00a0FACETAS DIN\u00c2MICAS:\u00a0 globaliza\u00e7\u00e3o e cultura \u00a0\u00a0[Parte I] -\u00a0\u00a0(Autoria: S\u00d4NIA MOURA) \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a01.1\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 - O TUDO \u2013 a globaliza\u00e7\u00e3o \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O fen\u00f4meno denominado globaliza\u00e7\u00e3o espraia-se no mundo contempor\u00e2neo, ora como ondas leves que v\u00eam-se banhar na areia de qualquer praia ou como ondas\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ensaios&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":89,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=89","url_meta":{"origin":1134,"position":1},"title":"D\u00e1 at\u00e9 Show!","date":"18 dezembro 2007","format":false,"excerpt":"D\u00e1 at\u00e9 show! por S\u00d4NIA MOURA \u201c O mundo presente e ausente que o espet\u00e1culo faz ver \u00e9 o mundo da mercadoria dominando tudo o que \u00e9 vivido\u201d (Guy Debord) Em tempos de globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e cultural, somos colocados frente a telas que nos d\u00e3o vis\u00f5es culturais multiplicadas e, ao\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ensaios&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1393,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1393","url_meta":{"origin":1134,"position":2},"title":"SHOW D\u00c1 VIDA?","date":"24 outubro 2010","format":false,"excerpt":"\u00a0 SHOW D\u00c1 VIDA? \u00a0(por S\u00d4NIA MOURA) \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2010 Caro amigo(a) Tudo bem? 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